Guia da roda para empresas
Roda de escuta depois da exibição do curta de 15 minutos. Para quem conduz a conversa em equipes, áreas de RH, lideranças e SESMT.
Para que serve
O curta abre a conversa, e este guia ajuda a sustentá-la com cuidado. O objetivo não é resolver a dor de ninguém nem oferecer respostas prontas. É criar um lugar onde as pessoas possam ser ouvidas. O ponto de partida é a presença, e as respostas, se vierem, vêm depois.
Antes de começar
Reserve cerca de 60 minutos.
- Organize as cadeiras em círculo, com luz suave. Grupos de até 20 pessoas.
- Defina o facilitador interno e o canal de apoio da empresa, para acompanhar quem precisar de mais apoio depois da roda.
- Deixe à mão os canais da seção “Se alguém precisar de mais ajuda”.
- Quem conduz avisa que a conversa não é terapia e não substitui acompanhamento profissional.
Combinados da roda (leia em voz alta)
- Ninguém é obrigado a falar. Passar a vez também é participar.
- Cada pessoa fala por si, sem ser interrompida, aconselhada ou julgada.
- O silêncio é bem-vindo.
- Não comparamos uma dor com outra.
- O que é partilhado aqui não é comentado fora da roda. Sigilo.
- A roda não é lugar de avaliação de desempenho nem de tratar casos individuais. Isso tem canal próprio.
Perguntas em camadas
Comece pela primeira e avance só se o grupo estiver à vontade. Qualquer pergunta pode ser respondida com “prefiro não responder”.
- Que imagem, cena ou frase do curta ficou com você?
- Em que momento da sua semana de trabalho você se sente visto? E em qual sente que ninguém percebe?
- O que costuma ficar sem palavras entre nós, na equipe?
- O que tornaria a nossa equipe um lugar seguro para dizer “não estou bem”?
- Para lideranças — Quem cuida de quem lidera aqui?
Como conduzir
Faça
- Devolva o que ouviu com palavras simples, como “parece que isso pesa muito” ou “obrigado por confiar isso ao grupo”.
- Aceite o silêncio sem preenchê-lo.
- Agradeça cada fala, sem avaliar.
- Se alguém chorar, espere. Não é preciso consertar nada.
Evite
- Dar conselhos, diagnósticos ou soluções rápidas.
- Dizer “faz parte”, “todo mundo passa por isso” ou “poderia ser pior”. Essas frases podem silenciar e ferir.
- Pedir que alguém conte mais do que quis contar.
- Cobrar nomes, setores ou exemplos que identifiquem pessoas ou chefias.
- Prometer que tudo vai ficar bem.
Se alguém precisar de mais ajuda
A roda acolhe, mas tem limites. Procure ajuda profissional quando a pessoa:
- não consegue realizar as atividades do dia a dia;
- parece ter perdido o contato com a realidade;
- fala em se machucar, em tirar a própria vida ou em machucar alguém;
- depende de álcool ou de outras substâncias de forma significativa.
Canais de apoio
- Canal de escuta ou de denúncia da empresa, para situações ligadas ao trabalho.
- Rede de psicólogos da empresa ou do plano de saúde, para acompanhamento.
- UBS ou CAPS da região, pelo SUS, para acompanhamento regular.
- CVV, gratuito e 24 horas: telefone 188 e chat em cvv.org.br.
- SAMU, 192, ou um pronto atendimento, se houver risco imediato. Nesse caso, não deixe a pessoa sozinha.
Como agir
- Converse em particular, com calma e sem alarde. Pergunte e escute.
- Depois do encaminhamento, continue por perto com uma conversa ou uma visita. O cuidado não termina na indicação.
Cuidar de quem lidera
A exibição pode ser feita só com lideranças, gestores e equipes de RH. Quem conduz os outros também carrega cansaço e não precisa escondê-lo. Nesse caso, use a pergunta 5, reserve mais tempo para a roda e combine um próximo encontro.
Encerramento
- Agradeça a confiança de todos.
- Lembre que a conversa pode continuar em particular com quem quiser.
- Se fizer sentido para a equipe, termine com um momento de silêncio ou uma pausa breve, opcional, sem exigir que todos participem.
- Repita os canais de apoio.
Esta ação não substitui a avaliação de riscos psicossociais prevista na NR-1, nem o PGR, o SESMT ou acompanhamento psicológico. É uma ação de sensibilização, promoção da escuta e fortalecimento do pertencimento no trabalho. Não é terapia.
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